PORTAL DE MINAS
Coisas e valores que só Minas tem

Uma contribuição de BENDITA - Cachaça de Minas para divulgação
da cultura mineira do Vale do Jequitinhonha e da Zona da Mata,
regiões onde a
BENDITA tem as suas raizes.
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  VERSOS & PROSAS

  1. MINAS - GERAIS

As montanhas escondem o que é Minas
Ninguém sabe Minas
Só os mineiros sabem
E não dizem nem a si mesmos o
irrevelável segredo chamado Minas

Carlos Drummond de Andrade

Ser mineiro é dormir no chão para não cair
da cama. Mineiro não dá ponto sem nó. Não
conversa, confabula. Não combina, conspira.
Não se vinga... Ser mineiro é dizer "uai", é ser
diferente, é ter marca registrada, é ter história.

Fernando Sabino

O mineiro escuta, espia, indaga, protela,
tolera, sorri, escapole, se retarda, faz
véspera, tempera, cala a boca, matuta,
engabela, se prepara e no fim exclama:
Nossa Senhora.

João Guimarães Rosa

"(...) em Minas, entender logo já é muito tarde,
o mais seguro é antecipar (...)"

Ivan Angelo

"Todo mineiro tem um trem de ferro apitando nas veias,
uma montanha brilhando nos olhos e uma banda tocando nos ouvidos"

Jorge Fernando dos Santos

"Minha gente, vou-me embora.
Mineiro está me chamando.
Mineiro tem esse jeito,
chama a gente e vai andando..."

Folclore mineiro

"Mesmo em silêncio, Minas retumba
seu som magnífico de liberdade
e de insubmissão: o Brasil fala
o que o silêncio de Minas dita."

Tibi Dias

2. MINAS - VALE

"Maria-fumaça não canta mais
para moças, flores, janelas e quintais
na praça vazia um grito um ai
casas esquecidas, viúvas nos portais."

Minton Nascimento - Fernando Brant

"É preciso curar a bicheira da mula,
polir os cincerros, descansar a madrinha da tropa,
secas os baixeiros, arrumar carne-seca,
cachaça da boa, toucinho magro, embornal
de farinha, armar a trempe, apanhar gravetos
e esperar o sol nascer na larga da manhã."

Adão Ventura

Nasci em Araçuaí
Terra de luar mais belo
que eu já vi
(...)

Sou filha do vale,
(...)

O vale tem arte.
Arte que é vida
Vida cantiga
Vida poesia
Vida esculpida.
(...)

Que saudades do trem de ferro Bahia e Minas
Ligava Minas ao mar.
(...)

Maquinista! Seu foguista!
Mais depressa,
Mais depressa,
Mais depressa.
(...)

Passam serras, passam boiadas,
passam fazendas e caatingas.
(...)

Chega Queixada
Vamos deliciar com a marmelada
Embarcam em Schnoor
Seu Nenem, Dona Maira
Dos Figueiredos, Seu Inhô.

Surge o Gravatá
de laranjas gostosas e araçá
Em Alfredo Graça
quase não pára, passa...

Mais depressa!
Mais depressa!
Mais depressa!

Passa a ponte. O trem apita
A viagem chega ao final
A criançada grita:
"Chegou o oral".

Araçuaí é mesma singular
Lá tudo é trem
na linguagem popular,
menos o trem
que é o oral.

Terezinha Melo Urbano de Carvalho
(Fragmentos)

3. MINAS - MATA

                   acqua vitae
água
                   de vida
ardente
                           água
                   água
água
                              de minas
                   água benta
                                        bendita

Ronaldo Werneck

Refaço os pés no chão, a fazenda de Minas,
goiabas, pitangas,
mas uma coisa e outra se perdem
no zumbido do elevador que me suspende
ao 507, onde enterro o que fui. (...)

O destino? Cataguases.
Quero depressa chegar.
O motivo da viagem
Não é segredo nenhum,
Virá nas folhas de cá:
- Embarco pra Cataguases,
- Que lá vão me enterrar.
(...)

Depois me larguem, me olvidem,
Que eu seja bem digerido
Pelo chão de Cataguases,
Reino de Minas, Brasil.

Guilhermino Cesar
(Fragmentos)

Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
cidade européia de ruas retas, árvores certas,
casas simétricas,
nem Juiz de Fora: ruído. Rumor.
Cidade inglesa de céu esfumaçado, cheio de chaminés negras:
nem Ouro Preto, cidade morta,
Bruges sem Rodenbach,
onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas que já esquecemos;
nem Sabará, cidade relíquia, onde não se pode tocar para não desmanchar o passado arrumadinho;
nem Uberaba, nem, nem, cidades arrrivistas, de gente que pretende ficar;
Não! Cataguases... Há coisa mais bela e serena oculta nos teus flancos.
Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
que nunca foram, que não cuidam ser.
Não és do futuro, não és do passado; não tens idade.
Só sei que és
a mais mineira cidade de Minas Gerais.
Vale a pena viver em ti. Nem inquietude.
Nem peso inútil de recordações,
mas a confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
nem ficam eternas.

Ascânio Lopes
("Cataguases"/Fragmentos)

NADA, Cataguases, em teu rio pobre
(...)
onde a água é mais lenta e os peixes envelhecem;
como a locomotiva perdendo vapor,
as rodas presas se arrastando sobre os trilhos
(...)
MENOS
que nada
é o pó do poema
que aqui sobrenada
que nada é o que resta
do rosto e da festa
do rasto e da gesta
que nada é o que sobra
do sabre e da sombra
da cãibra e da cobra
que nada é o que fica
da faca e da treva
da trave e da chama

Francisco Marcelo Cabral
("Inexílio"/Fragmentos)

Tarsila não pinta mais
Com verde Paris
Pinta com Verde
Cataguases

Os Andrades
Não escrevem mais
Com terra roxa
NÃO!
Escrevem
Com tinta Verde
Cataguases

Brecheret
Não esculpe mais
Com plastilina
Modela o Brasil
Com barro Verde
Cataguases

Villa-Lobos
Não compõe mais
Com dissonâncias
De estravinsqui
NUNCA!
Ele é a mina Verde
Cataguases

Todos nós
Somos rapazes
Muito capazes
De ir ver de
Forde Verde
Os ases
De Cataguases

Marioswald de Andrade
("Homenagem aos Homens que Agem")

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